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Coninhas

Ser Coninhas é um Direito!

Coninhas

Ser Coninhas é um Direito!

O TUGA...

...E O ESPANHUEL!?!
Depois de ter pendurado uma bandeira de Portugal na varanda, cheguei à conclusão que tinha que comprar mais uma bandeirinha, esta mais pequenina, para a pôr no carro e fazê-la esvoaçar ao vento (tenho que dizer a verdade, a ideia não foi minha, foi de um vizinho meu que já tem o seu carro devidamente artilhado com a bandeira).
Ora, depois de ter visto o preço da bandeirinha que me propus comprar, preço inflacionado por vir apetrechada com um ferrinho a servir de haste, que na antena não a ponho, pois pode interferir com as ondas hertzianas e também não a prendo no vidro da janela porque assim não esvoaça como deve ser e fica assim meio parolo, dizia eu que quando vi o preço da bandeirinha me senti ainda mais feliz e orgulhoso por ser português e vi, claramente visto, que o nosso querido e amado governo pensa em tudo para que sejamos patriotas felizes.
Percebi também porque é que o resto da Europa é tão tristonho e cinzentão e não decora as varandas com as bandeiras dos seus países. Ora, eu ganho 1 000 euros por mês; o Juanito, que é um amigo meu espanhol que conheci quando fiz uma peregrinação a Santiago de Compostela e que trabalha no mesmo que eu, mas em Espanha, ganha 2 000 euros. Eu comprei um carro que me custou 13 000 euros; o Juanito, que é um invejoso que não pode ver ninguém comprar nada, que quer logo ter tudo igual, comprou um carro igualzinho ao meu que, em Espanha, lhe custou 9 000 euros. Não contente com isso, comprou outro carro igualzinho, só que de outra cor, para a mulher. Depois veio armado em fanfarrão dizer que tinha dois carros e eu só tinha um. Respondi-lhe logo: “Pois, mas eu só gastei 13 000 euros e tu gastaste 18 000” e ainda lhe disse a seguir, de peito feito - “Toma lá que já almoçaste”.
Depois ainda me veio com a conversa que comprou uma casa maior que a minha, que até tem duas varandas e a minha só tem uma, e que ainda por cima lhe ficou mais barata. E eu disse-lhe: “Se foi assim tão barata, algum defeito há-de ter. Aqui em Portugal são mais caras porque são muito melhores. A minha, durante os dois primeiros anos, não tinha ponta de humidade. Só no terceiro é que começou a descascar um bocadinho a pintura e a ter umas manchas acinzentadas, mas o construtor disse-me logo que é normal porque Portugal é um país muito húmido”. E nem lhe quis dizer tudo, que se ele repara nesta qualidade de vida, depois, quando formos ao café, quer que seja eu a pagar os/as finos/imperiais. Mas poderia ter-lhe dito, por exemplo, que aqui em Portugal não precisamos de nos preocupar com o dinheiro. Que me importa que a minha casa tenha sido mais cara, se aqui há sempre uns senhores simpáticos no banco que nos tratam logo de tudo?
Preferi “aporreá-lo” mesmo a sério e lancei-lhe: “Então diz lá porque é que em Espanha as pessoas não põem bandeiras nas varandas quando há futebol. Vá, diz lá!”. A isto, ele não soube responder. Disse que nem tinha pensado nisso. E aí, dei-lhe a machadada final: “Pois eu explico-te: vocês não põem bandeiras nas varandas porque, em vez de comprar um carro, compram dois; em vez de terem uma varanda, têm duas; teriam que comprar mais bandeiras do que nós e, claro, já não lhes sobra dinheiro para as comprar”. Ficou tão irritado com esta realidade que balbuciou uma coisa qualquer em espanhol, “tonto” ou não sei quê e desapareceu de vez. Nunca mais o vi. Estes espanhóis são cá uns parolos…

Nota: Apesar de esta ser uma obra de ficção, os valores comparativos referentes a salários e preços de automóveis, embora arredondados ao milhar, são verdadeiros.

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