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Coninhas

Ser Coninhas é um Direito!

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Ser Coninhas é um Direito!

Diário de Maria ( Capitulo V )

Era uma festa a favor dos monges das Caldas da Rainha, para ajudar na nova construção de uma fábrica de canecas. Maria tinha pensado numa quantia nem muito alta nem muito baixa, mas aquela que julgava ser a verba exacta para uma fábrica de canecas das Caldas - a sua presença. Parou á porta, o Alberto abriu-lhe a porta do BMW e Maria pôs a perna de fora, logo dezenas de fotógrafos premiram o botão das suas câmaras e os flaches se fizeram sentir. Parecia uma noite de entrega dos Oscares, Alberto tropeçou no tapete vermelho, colocado estrategicamente á entrada e espalhou-se ao comprido e com ele alguns fotógrafos, algumas câmaras foi uma entrada em cheio!
- Olá, muito prazer senhor secretário de Estado, a sua esposa ainda está nas Termas? Temos de marcar um jantarinho!
- Viva senhor Ministro, o divórcio já está a correr, telefone-me!
- Como está senhor Dr. tem de me visitar mais vezes!
- Pipas!? Tu por aqui? A Rádio como é que vai, ai que saudades eu tenho da rádio, o “El Escarrador” está bonzinho?
Nisto um jornalista pede uma palavras a Maria para o Jornal da Noite:
- Boa tarde Maria, uma palavras em directo para o Jornal da Noite!
- Bem boa noite a todos, estou aqui mais uma vez para contribuir para a construção da fábrica de canecas da Caldas e espero que este projecto, que me parece muito interessante se mantenha sempre de pé !
- Obrigado Maria!
Com um sorriso lindíssimo e com o seu vestido preto super decotado, Maria era o brilho da festa dos Monges das Caldas a favor da fábrica das canecas!
Junto á orquestra um jovem tomava um drink e conversava com a secretária do Ministro. Maria tinha reparado nele, alto, moreno de porte atlético. Os olhares cruzavam-se os sorrisos discretos eram muitos, até que a certa altura:
- Boa noite eu sou o Manuel !
Maria quase desmaiou, o homem tinha uns dentes brancos e grandes, lindos, tanto um, como o outro!
- Olá !
Disse Maria afastando-se rapidamente:
- Meu Deus que horror, lindos por fora e por dentro é o que se vê, tive mesmo para lhe dizer: Vai arrumar as cadeiras que tens a plateia desarrumada!
Alberto encostado a mesa do ponche, já via a sala a dançar mesmo sem música, coisas de família se calhar herdou a veia alcoólica do seu irmão Miguelito. Esteve para aí uma boa meia hora a falar com uma estatua em mármore que havia a um canto do salão:
- Estás linda, um borracho destes aqui sozinha, és uma mulher muito fria, humm não dizes nada, está armada em sonsa, assim despida não enganas ninguém, cá o Alberto já viu muita coisa entendes? Comigo estás á vontade, e se me quiseres contar quem te fez isso aos braços...malandros !
A Festa era um sucesso, muita gente, gente bonita, gente feia, havia de tudo e para todos os gostos mas, fundamentalmente estava cheia e isso é que interessava aos Monges. Era a Teca do Restelo, famosa pela sua prospecção de petróleo em Condeixa, era o Dom Alfredo dono de uma fábrica de cerveja sem espuma, Sir Godofredo Jesus famoso arquitecto que desenhou, projectou e nunca chegou a construir a famosa Torre do Castelo, enfim notáveis e mais notáveis que bajulavam a nossa Maria.
21h45 tã nã na nãã... Começou aquela música “Falling in love Again” ou em português “Cair no Amor outra vez”, coisas do destino, Maria olhava triste para o seu passado, pensando na “vida” que tinha tido e como tudo se modificara, de repente sentiu uma voz por trás de si :
- A senhora dança??
(Continua)